O Manchester City foi declarado culpado em quase todas as 115 acusações da Premier League relacionadas a violações financeiras entre 2009 e 2018. O painel independente responsável pelo julgamento ainda precisa definir as punições, que podem ir de advertência formal à expulsão da liga. O clube deve recorrer no mais importante processo regulatório da história do futebol inglês.
Entenda o caso
Foram 115 acusações formais, protocoladas pela Premier League em fevereiro de 2023, após uma investigação que se estendeu por mais de quatro anos, e o Manchester City foi considerado culpado em 114 delas. Apenas uma acusação não foi sustentada pelo painel independente que conduziu o julgamento.
As acusações cobrem o período entre 2009 e 2018 e se dividem em quatro categorias distintas:
| Acusação | O que envolve |
|---|---|
| Informações financeiras imprecisas | Dados enviados à Premier League com irregularidades |
| Detalhes de remuneração | Pagamentos a jogadores e membros da comissão técnica não declarados corretamente |
| Descumprimento do FFP da UEFA | Violação das regras de fair play financeiro europeu |
| Violação das regras da Premier League | Descumprimento das regras de sustentabilidade financeira da própria liga |
Como a investigação começou
A origem do processo está em novembro de 2018, quando o jornal alemão Der Spiegel publicou uma série de reportagens com base em documentos internos do Manchester City, parte do conjunto de materiais conhecido como Football Leaks.
Os arquivos levantavam suspeitas sobre a estrutura financeira do clube, com indícios de que pagamentos a jogadores e treinadores eram ocultados, receitas comerciais eram infladas artificialmente e as regras de fair play financeiro da UEFA eram contornadas.
A UEFA foi a primeira a agir e, em 2020, baniu o Manchester City por dois anos das competições europeias. O clube recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) e conseguiu a anulação da punição, mas foi obrigado a pagar cerca de 8,8 milhões de libras por não ter cooperado adequadamente com a investigação.
A Premier League abriu sua própria investigação em paralelo e formalizou as 115 acusações em fevereiro de 2023. O processo foi conduzido por um painel independente, sem participação direta da liga.
O que o veredito ainda não responde
O painel declarou a culpabilidade, mas ainda não definiu as punições. Veja as possíveis sanções que o Manchester City pode sofrer:
| Sanção possível | Nível |
|---|---|
| Advertência formal | Baixo |
| Multa financeira | Médio |
| Dedução de pontos na tabela | Alto |
| Expulsão da Premier League | Extremo |
Há ainda a possibilidade remota de punições retroativas, o que colocaria em discussão títulos conquistados durante o período das infrações. Analistas jurídicos consideram essa hipótese improvável, já que punições com efeito retroativo são de difícil sustentação legal e não têm precedente no futebol europeu.
O cenário mais plausível é que qualquer sanção tenha efeito sobre a temporada atual ou as próximas. O Manchester City confirmou que vai recorrer, o que pode prolongar o processo por mais meses ou anos antes de uma resolução final.
O que o clube ganhou no período?
Desde a chegada de Sheikh Mansour bin Zayed al Nahyan, em 2008, o Manchester City acumulou oito títulos da Premier League, quatro Copas da Inglaterra, sete Copas da Liga Inglesa e uma Champions League. É a trajetória de conquistas mais expressiva de um clube inglês nas últimas duas décadas.
Pep Guardiola comandou o projeto por dez anos antes de deixar o clube. Na temporada 2026/27, o City venceu os primeiros cinco jogos e lidera a Premier League, em um início de temporada construído sobre um verão de investimentos que ultrapassou 450 milhões de libras, incluindo a chegada de Enzo Fernández, ex-Chelsea, por cerca de 125 milhões de libras.
O que este caso significa para o futebol inglês
Este processo é, em escala e impacto potencial, sem equivalente na história do futebol inglês. A dedução de pontos aplicada ao Everton e ao Nottingham Forest nos últimos anos, por violações financeiras de proporções muito menores, já gerou debates intensos sobre governança na liga. O caso do Manchester City é de uma dimensão completamente diferente.
O que o painel decidir na fase de sanções vai definir um precedente e enviar uma mensagem clara sobre o que as regras financeiras do futebol inglês realmente valem.
Se a punição for leve, o sinal é de que as regras têm pouco peso na prática. Se for severa, o futebol inglês pode entrar em uma fase de repercussões sobre competitividade, governança e os bilhões investidos por fundos e Estados nas últimas décadas.
Perguntas frequentes
O Manchester City foi considerado culpado em todas as 115 acusações da Premier League?
Em quase todas. O painel independente declarou o clube culpado em 114 das 115 acusações formais. Apenas uma não foi sustentada.
Quais são as possíveis punições para o Manchester City?
As sanções ainda não foram definidas. O regulamento prevê desde advertência formal e multas até dedução de pontos na tabela da Premier League. A hipótese mais extrema, a expulsão da liga, existe no regulamento, mas não tem precedente na história do campeonato inglês.
O Manchester City pode perder os títulos conquistados no período das infrações?
É uma possibilidade prevista nas regras, mas analistas jurídicos consideram improvável. Punições retroativas têm pouquíssimo precedente no futebol europeu e seriam de difícil sustentação legal. A expectativa é que qualquer sanção tenha efeito sobre o presente ou o futuro.
Quando e como essa investigação começou?
A investigação teve origem após reportagens do jornal alemão Der Spiegel em novembro de 2018, baseadas em documentos internos do clube. A Premier League formalizou as 115 acusações em fevereiro de 2023.
O Manchester City já foi punido antes por questões financeiras?
Sim. Em 2020, a UEFA baniu o clube por dois anos das competições europeias. O City recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte e teve a punição anulada, mas pagou cerca de 8,8 milhões de libras por não cooperar com a investigação europeia. A investigação da Premier League é separada e de escala muito maior.
Sobre o autor
Gustavo Ribeirão cobre futebol há 15 anos, com passagens por Band, Fox Sports, DAZN, OneFootball, FIFA+, Canal Goat e TV Cultura. Foi correspondente do DAZN na Inglaterra entre 2019 e 2023. Escreve no Expresso Premier League sobre Premier League e futebol inglês em português.
Publicado em 25 de setembro de 2026

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